Podemos notar que algumas dessas palavras enumeradas apresentam relação também com a condição financeira. No entanto, ser feliz não significa, necessariamente, possuir uma conta bancária polpuda ou muitas propriedades. O dinheiro, sem dúvida, facilita o acesso a bens atualmente identificados com uma vida próspera. Mas, não é garantia de felicidade.
Vinícius de Moraes escreveu que “tristeza não tem fim, felicidade, sim”e isto bem pode ser verdade. Pois, é muito difícil manter indefinidamente o conjunto de sensações de calma e plenitude que se convencionou chamar de “felicidade”. Existem, sim, momentos felizes que devem ser vividos intensamente.
Então, por que sonhamos com a felicidade, com um mundo melhor em que ninguém mais sofrerá? Provavelmente, porque enquanto acalenta este sonho, a maioria de nós consegue suportar um cotidiano duríssimo, feito de incertezas e sofrimento. Assim, a simples possibilidade de virmos a ser felizes algum dia nos impede de desistirmos de viver. No entanto, quando esta felicidade futura torna-se algo muito idealizado, ela se transforma no seu contrário – na infelicidade. Um estado de espírito que mistura frustração, desespero e depressão em graus variados, e faz com que não enxerguemos saída para nossos problemas.
Ser feliz não é brinquedo
Se não é possível evitar frustrações, aliás elas são até importantes para nosso equilíbrio psíquico, podemos planejar como ser felizes. Vamos traçar um plano de vida, com metas executáveis a curto, médio e longo prazos. Afinal, ser feliz não é brinquedo que se ganha no Natal, é uma conquista. Ao estabelecer as metas, não devemos pensar se vamos ou não atingi-las, mas se estamos dispostos a dedicar o esforço necessário para “chegar lá”, levando em conta as condições que temos, econômicas, pessoais, ambientais,etc.
Em outras palavras, o primeiro passo para felicidade é aceitar os nossos limites. O segundo, aceitar os limites dos outros. E o terceiro, tirar o máximo dessas limitações para superá-las.
Estado da alma
Grandes empreendedores possuem este senso de realidade – de limites e de superação. No entanto, nem todos conseguem ser felizes, mesmo aglutinando uma porção de pessoas em torno de si para realizar mudanças. Porque felicidade é um estado da alma, que pode ser momentâneo ou duradouro e depende mais do indivíduo do que de fatores externos para ser alcançado. Buscar a felicidade é transformar-se interiormente.
Na visão psicanalítica, este estado da alma está intrinsecamente ligado ao amor: é o desejo de amar e ser amado, e envolve o bem estar do corpo e da mente, bem como os relacionamentos sociais. Por isso, pessoas com interesses diversificados e participação em grupos sociais têm mais facilidade em estabelecer metas e atingi-las. A inserção no meio ambiente faz surgir as oportunidades de desenvolvimento, a confiança e respeito do grupo, e também a clareza de propósitos. Mas, ainda não existem indivíduos com este perfil em número suficiente para podermos afirmar que, com todo o avanço tecnológico e no limiar do século 21, a humanidade está mais feliz. Expressões como “prazer” e “gosto do que faço”não fazem parte do vocabulário da média das pessoas. Só aparecem nos depoimentos de profissionais com carreiras bem-sucedidas (e alguns preferem não conversar sobre a vida pessoal). A verdade é que a maioria de nós “sobrevive”, do ponto de vista material e existencial, o que significa não avançar como indivíduo.
Felicidade não um lugar de chegada ou um bem que se negocia. É uma conquista diária para nos aproximar do que nós consideramos plenitude. E nada mais.